quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A mentalidade esquerdista e o gosto pelo crime sempre andaram lado a lado. Cito alguns dos mais recentes exemplos brasileiros de memória e remeto os leitores aos mais antigos aqui e aqui.
Vamos aos exemplos mais recentes.
Ano passado, a Presidente Dilma recebeu representantes da Marcha das Vadias, aqueles mesmos responsáveis pelos crimes de atentado violento ao pudor e crime de ultraje a culto durante a visita do Papa Francisco.
O PT sempre foi um aliado incondicional das FARC (aqui), e portanto, cúmplice dos crimes deste grupo terrorista aqui no Brasil.
Nosso governo federal mantém relações promíscuas com a ditadura cubana, responsável pela morte de mais de 100 mil cubanos e por financiar guerrilhas no nosso país nos 1960 e 70.
Recentemente, o governo ficou quietinho e se associou implicitamente ao crime de racismo contra Joaquim Barbosa na página “Blog da Dilma”.
O Ministério da Saúde fez um panfleto “educativo” para “orientar” o consumo de cocaína para as últimas paradas "gays".
O governo petista (e ativistas de esquerda) promove ainda a campanha do desarmamento da população civil e lutou pela aprovação da "Lei das Palmadas", incentivos claros a criminalidade.
A esquerda, em geral, dá voz a criminosos condenados. As reações histéricas contra a diminuição da maioridade penal não cessam de partir de intelectuais de esquerda e seus veículos de mídia (aqui), Seus militantes promovem incentivo à pedofilia no Kit Gay, querendo corromper, desde cedo, a juventude.
Um deputado gayzista pode imputar crimes gravíssimos ao Papa e, por extensão, a toda comunidade de cristãos, sem que com isso, alguma autoridade competente veja incitação de ódio.
Caetano Veloso e Marcelo D2, “expoentes” do “pensamento” esquerdista apóiam os Black Blocs, assim como os artistas globais, um deputado do PSOL (e seu assessor) e o Sindicato dos professores do Rio de Janeiro. Recentemente, a ação da milícia esquerdista resultou na morte de um cinegrafista.
Um líder gayzista pode fazer apologia da pedofilia e um professor da Unicamp pode defender regimes genocidas dentro da universidade e ninguém se escandaliza.
A lista é tão extensa, que chega a cansar.
Arrogar-se o direito de incitar, louvar, promover e praticar crimes em prol da “justiça social” e contra a “opressão” é uma profissão de fé de todo o esquerdista que se preze. Assim como exagerar o senso das proporções até a demência. Vale tudo na busca de “um mundo melhor”.
Para esquerdistas, estamos diante da barbárie não por conta dos nossos mais de 60 mil homicídios anuais, mas sim porque há pequenos grupos de justiceiros batendo em pivetes na Zona Sul da Cidade Maravilhosa
A esquerda, que sempre adorou proteger e afagar criminosos, agora orquestra uma campanha contra Rachel Sheherazade, por conta de seus comentários sobre o episódio ocorrido no Rio de Janeiro há alguns dias.
Ao considerar que “num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível’”, Sheherazade foi tomada como um bode expiatório e alvo preferencial. Isso não é novo e já ocorria há algum tempo (e aqui).
Mas a reação à jornalista do SBT agora aproveitou-se de um comentário supostamente ambíguo e de nada adiantou Sheherazade esclarecer sua fala, pouco tempo depois.

Como resumiu Reinaldo Azevedo:
“Estranha essa gente: defende o direito de defesa para os bandidos mais asquerosos — e nem poderia ser diferente —, mas pede a execução sumária de alguém por ter emitido uma opinião infeliz.”
Ou até pede seu estupro, como fez o esquerdista “filósofo de São Paulo”, recentemente (a história está contada em detalhes aqui).
O sucesso que alguns comentaristas mais conservadores vêm fazendo na imprensa incomoda e muito. Imagino que após o sucesso estrondoso do livro "O Mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" e a conseqüente anulação do “mandamento comunista” de Milton Temer “Olavo de Carvalho não é para ser comentado” – visto que o filósofo voltou a ser comentado na grande mídia - também deva encher de raiva toda a esquerda.
Por isso, tem-se a necessidade do exagero – “a direita está poderosíssima” - para adestrar a militância, reforçar os cacoetes mentais e prepará-la para novos upgrades revolucionários.
Quanto mais os militantes, os intelectuais orgânicos e os idiotas úteis se convencerem de que devem excluir os rotweillers” da imprensa, para preservar um "debate democratico", melhor.
Porém, a mentalidade esquerdista funciona dialeticamente. Faltava mais algum elemento para fechar o quadro. A histeria contra o sucesso de alguns conservadores na imprensa não poderia ser o único objetivo.
Até que veio a “reportagem” da Carta Capital (ou carta CaPTal).
Dando com a língua nos dentes, a revista chapa-branca nos esclareceu o real motivo de toda essa histeria: é uma “nova” tática em prol da velha “utopia” (ou seria distopia?) de controle dos meios de comunicação, o sonho de consumo do PT e da esquerda em geral.
Ora, se “la loca de Buenos Aires” "Cretina" Kirchner conseguiu, por que o governo Dilma não conseguiria aqui também, não é?

Na “reportagem” chamada “Esqueça Sheherazade. A culpa é de Silvio e do governo”, lemos pelo menos três coisas interessantíssimas:

 
1) “Por mais antipatia de uma parcela da população que uma revistaVeja ou um jornalO Estado de S. Paulopossam despertar, faz parte do jogo democrático a sua existência. São negócios como outro qualquer e, por mais que incomodem, têm todo o direito de existir e publicar o que bem entenderem, dentro dos limites da Constituição. No caso de uma rádio ou televisão, contudo, a história é outra. Eles operam por meio de outorgas concedidas pelo Ministério das Comunicações com o aval do Congresso. E aí há regras. Afinal, é uma autorização de uso de um bem público, não é uma mera iniciativa privada, como querem nos fazer crer. Pela legislação em vigor, é o Ministério das Comunicações o órgão responsável por fiscalizar o conteúdo veiculado pelas emissoras e responsabilizá-las se houver violação da lei. (...) É só o Ministério das Comunicações, comandado por Paulo Bernardo, começar a agir e multar as empresas. Só não o faz porque não quer.”

Ou seja: além da ameaça velada à revista Veja e ao Estadão, a revista chapa-branca (ou seria “chapa-vermelha?”) explicita uma proposta concreta: está na hora de usar o poder do governo para enquadrar os donos de televisão, ameaçando-os com multas e a perda da concessão.

2) “E é no mínimo questionável o uso de tais concessões para enriquecer bispos de igrejas suspeitas, faturar bilhões a cada ano com a venda de publicidade ou colocar no ar comentaristas como Sheherazade, Martins e Prates, que diariamente desrespeitam as leis, deseducam e pregam a violência e o preconceito para milhões de brasileiros. Só governo, por meio do Ministério das Comunicações, pode mudar isso.”

Para essa gente, a prática de se tomar concessões por não estarem de acordo com o que o governo determina, também deveria se voltar contra os canais religiosos, colocando-os sob controle. Lembremos que Gilberto Carvalho quer que o PT entre em “uma disputa ideológica com as lideranças evangélicas para conquistar a classe C”. (aqui).
O detalhe sórdido da “Carta Estatal” é que, ao colocar as igrejas como alvo, ela use o termo “igrejas suspeitas” referindo-se implicitamente a todas elas, embora o objetivo seja fazer as pessoas pensarem logo na Igreja Universal do Reino de Deus.
O truque é aproveitar-se da imagem de uma seita cristã picareta (e, não sem doses de ironia, fiel aliada do governo petista e de seus projetos mais anticristãos), e colocá-la como representante de todas. Feito esse jogo sujo, conclui-se, num salto lógico monumental, que todas as seitas cristãs são picaretas e deveriam ser controladas. Exceto, é claro, aquela que é aliada do petismo.
É como a prática comum no nosso “jornalismo” de associar religião ao fundamentalismo (e extremismo); o fundamentalismo ao terrorismo; e depois, associar o terrorismo ao cristianismo. E, a partir daí, querer calar o cristianismo acusando-o de extremista e intolerante. Não é lindo como funciona a mente esquerdista?
Ao reclamar da própria Sheherazade, Paulo Martins e Luiz Carlos Prates, a revista (que vive de publicidade estatal e talvez, por isso, se irrite com "venda de publicidade" na TV e no rádio) não cita, é claro, nenhum "desrespeito às leis", "incitação à violência" ou propagação de "preconceitos", que os jornalistas tenham cometido. E ao fazer tal encenação, o autor do texto da Carta Das Kapital involuntariamente torna-se passível de processo por crime de calúnia (art. 138 do Código Penal).

3) E só a sociedade civil organizada pode pressionar o governo e o Congresso para que isso aconteça.

A sociedade civil organizada (termo usado numa acepção claramente gramscista), na verdade, é apenas um nome escolhido para caracterizar os movimentos militantes aliados do próprio governo, os quais vão, através de uma “estratégia de tesouras”, pressionar por mais controle estatal.
É de se prever, portanto, mais e mais manifestações contra a “mídia golpista” e por mais “democratização dos meios de comunicação” nos meses anteriores às eleições de outubro.
Esquerdistas são assim mesmo. Mentem, inventam, forçam o senso das proporções até a loucura. Torcem os sentidos das leis e das palavras. Acusam seus oponentes de crimes que eles mesmos cometem. Ameaçam. Odeiam a liberdade de expressão. Eles não largam o osso de controlar as opiniões. E sempre acabam dando com a língua nos dentes.

Rodrigo Sias é economista.

link:

O filósofo Olavo de Carvalho e o deputado federal Jair Bolsonaro, acompanhado de seus filhos, Flavio Bolsonaro, deputado estadual (RJ), e Carlos Bolsonaro, vereador da cidade do Rio de Janeiro, conversaram sobre os inúmeros atentados do PT contra a família e contra o país.
Também foi abordada a necessidade de se criar uma militância organizada e articular lideranças políticas capazes de fazer oposição real e efetiva aos projetos revolucionários do PT e da ONU.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZMpoOJ-NAzg

link:



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014


A menos de 10 dias do encerramento do prazo para o governo brasileiro decidir se concederá refúgio ao senador boliviano Roger Pinto Molina, o Estadão revelou detalhes de uma imunda operação secreta articulada em março de 2013 pelo governo brasileiro para enviar à Venezuela um perseguido político enclausurado numa salinha sem janela durante 455 dias na embaixada brasileira em La Paz, Bolívia. Detalhe: Molina não poderia saber para onde estava sendo enviado.
Roger Pinto Molina
De acordo com a reportagem, o governo do Brasil ofereceu a Molina, que é evangélico, ajuda para sair da Bolívia, com uma condição: ele deveria dar ao governo brasileiro total direito de enviá-lo a um país sem que Molina soubesse o destino. A oferta do Brasil também estipulava que ele deveria aceitar ser julgado por uma junta de juízes.
Se o senador evangélico tivesse aceitado a oferta, ele teria caído direto na cova dos leões, pois o plano do Brasil envolvia entregar Molina a dois países comunistas aliados da Bolívia: Venezuela e Nicarágua.
Tudo o que era necessário era Molina dar um salto no escuro aceitando a misteriosa “ajuda” de Dilma. O resultado final seria: ele acabaria nas mãos de carrascos comunistas e a senhora Dilma Rousseff poderia dar de ombros e dizer que cumpriu a palavra dela, tirando o evangélico perseguido da Bolívia — sem contrariar as intenções do ditador Evo Morales.
Se não fosse a ação corajosa do diplomata católico Eduardo Saboia retirando da Bolívia o refugiado boliviano contra a vontade do governo brasileiro, Molina cedo ou tarde seria entregue ao governo comunista da Bolívia ou aliados.
Quando bandidos governam um país, os inocentes são tratados como criminosos e os bandidos são tratados como heróis. Quando o assassino comunista Cesare Battisti fugiu para o Brasil, a Itália requereu sua extradição legal, mas o governo de Lula não trancou o criminoso numa salinha por 455 dias nem arquitetou um plano secreto para entregar o assassino a um merecido castigo. O próprio Lula interveio para que o criminoso obtivesse asilo e uma vida regalada
Molina não é assassino, mas um conservador será sempre um criminoso para Evo Morales, Dilma e aliados. O governo do PT fará tudo o que puder para não dar asilo ao evangélico conservador da Bolívia. Portanto, esse é um caso de oração e intercessão.
Não tenho vergonha de ser brasileiro, mas tenho muita, muita vergonha dos que governam o Brasil com esquemas infernais e bandidagens.
Abaixo, conforme o colunista da Veja Augusto Nunes, comunicado ao público do advogado de Molina:
A notícia veiculada no Estadão, e assinada pela experiente repórter Andreza Matais, de que teria sido engendrado pelo Itamaraty um plano secreto para levar o senador Roger Pinto Molina para a Venezuela ou para a Nicarágua deve ser vista com extrema preocupação. Caso essa insensatez se tivesse concretizado, o Brasil teria jogado ou alguém sob a proteção do direito internacional num verdadeiro covil de leões, dado o estreito alinhamento ideológico e político que têm aqueles países com o governo de Evo Morales.
Mas a coisa vai mais longe. A lamentável operação deve ser vista como o capítulo final de uma história que retrata um Itamaraty agonizante, que só permanece vivo porque obstinados brasileiros não desistiram de lutar pela instituição que um dia honrou os seus pais e o seu País. Uma história que teve o seu clímax (ou seria anticlímax?) numa proposta indecente feita a Roger Molina em março do ano passado. O embaixador Marcel Biato – um desses obstinados, justiça seja feita – foi orientado, não sem constrangimento, a propor ao senador, então asilado na Embaixada do Brasil em La Paz, um rol de condicionantes em troca da “liberdade”. A proposta passava por cinco pontos: 1) o senador deveria renunciar ao asilo que lhe fora concedido pelo governo brasileiro; 2) deveria concordar em ser enviado para um terceiro país; 3) deveria assumir o risco de sair da Embaixada sem um salvo-conduto; 4) deveria no seu destino final se abster de criticar o Governo de Evo Morales, e, finalmente, 5) deveria concordar em se avistar com “enviados” da Justiça boliviana, que seriam autorizados a ingressar nas instalações da nossa Embaixada.
Soube que o diplomata Clemente Baena Soares e outros enviados pelo Itamaraty, sem a participação dos integrantes da missão brasileira em La Paz, teriam mantido conversações com a embaixadora da Venezuela, Cris González, com o fim de que fosse cedido um avião de matrícula venezuelana para tirar o senador da Bolívia, com o beneplácito oficial, mas sigiloso, do governo Evo Morales. A reunião que poderia ter selado o destino de Roger Pinto Molina só não ocorreu em razão da embaixadora González ter se deslocado para Caracas, em razão da morte do presidente Hugo Chávez, justamente no momento em que Baena Soares arribava na capital boliviana.
Essa proposta indecente começou a ser rascunhada, ao que parece, logo após a prisão dos torcedores corintianos em Oruro. Numa reunião em Cochabamba, o chanceler boliviano David Choquehuanca teria proposto ao seu congênere Antonio Patriota que o embaixador Marcel Biato – muito crítico dos desmandos do governo Evo Morales – fosse afastado das tratativas para a libertação dos torcedores, condição com a qual o nosso chanceler assentiu. Ao que parece Choquehuanca foi mais além e teria proposto trocar a liberdade dos corintianos pela de Roger Molina. Essa segunda e estapafúrdia proposta teria sido rechaçada por Patriota. Porém, como resultado dessa reunião o senador Molina teve limitado o seu direito de receber visitas e só não foi impedido de falar ao telefone e acessar a Internet porque funcionários da Embaixada exigiram que uma ordem por escrito fosse enviada desde Brasília.
Se algo mais restou de positivo daquela reunião foi que ali se decidiu pela criação de uma comissão bilateral para cuidar do caso do senador. Essa comissão teria se reunido uma única vez em São Paulo. A segunda reunião, programada para La Paz, jamais teria acontecido. Ao que parece, os diplomatas enviados a La Paz sequer foram recebidos pelas suas contrapartes bolivianas. Ato contínuo, foi proposta pelos nossos vizinhos que a frustrada reunião acontecesse em La Antigua, na Guatemala. Desta vez a conversa ocorreu de pé, no corredor. A próxima cartada no jogo da dupla Evo-Choquehuanca foi conseguir que o Brasil assinasse, durante uma reunião de Cúpula do Mercosul em 12 de julho de 2013, uma declaração em que o País se solidarizava com “os Governos da Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela, que ofereceram asilo humanitário ao Senhor Edward Snowden”, sem que tal declaração dedicasse uma única linha a Roger Pinto Molina, àquela altura há um ano e um mês espremido num pequeno quarto improvisado.
Daí para a frente a história é conhecida: Molina foi heroicamente retirado da Embaixada, recebi em minha casa a inesperada visita de um diplomata que naquela ocasião integrava a comissão sindicante encarregada de processar o diplomata Eduardo Saboia e por aí vai.
Mas a lembrança que realmente me veio à mente, tornada vívida pela leitura da notícia de hoje, foi o telefonema que recebi do secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos. Disse-me este, em meados de setembro do ano passado, que o meu cliente seria expulso do País caso fosse à Câmara dos Deputados a convite do deputado oposicionista Otávio Leite. Em resposta, expressei toda a minha indignação e deixei claro que não me curvaria a esse tipo de ameaça. Aproveitei a deixa para enfatizar que seria oportuno o embaixador refletir seriamente sobre os limites do Estado. Mas devo confessar que senti o que talvez seja compaixão em relação a Eduardo dos Santos: se há uma coisa que me marcou naquele telefonema foi a sensação de que o secretário-geral estava com medo. E gente com medo, pensei, é o que não falta no Itamaraty. Ainda que estejam longe de constituir a maioria, vem ganhando espaço burocratas que convenientemente se esquecem de que a Diplomacia é e sempre foi uma carreira de Estado. Ou que não menos convenientemente se deixaram contaminar por uma ideologia que lhes vêm assegurando que o próximo posto não vai ser dentro de uma geladeira ou na calorenta Ouagadougou, no Burkina Faso.
Em pouco mais de vinte anos o crack tomou conta das ruas das nossas cidades, fazendo com que milhares de jovens promissores ficassem tão somente na promessa. Hoje, segundo dados das Nações Unidas, sessenta por cento da cocaína produzida na Bolívia vem parar no Brasil. O aumento do tráfico proveniente da Bolívia foi determinante para que o consumo em nosso País dobrasse nos últimos seis anos. Atualmente, três por cento dos universitários brasileiros e quase dois por cento do total da população consomem cocaína regularmente. Não consigo aceitar que um viés ideológico forjado e sedimentado nos corredores das universidades numa época em que era justo e necessário lutar contra a Ditadura nos levou a um quadro crônico de cegueira coletiva que nos impede de criticar essas tais Novas Democracias do Século XXI (um eufemismo para ditaduras), que gostam mesmo, como faziam os militares nos nossos tempos de chumbo, de perseguir os seus opositores. Em nome dessa mesma ideologia aceitamos calados sucessivas provocações de Evo Morales, que espertamente percebeu que pregar contra o “imperialismo” brasileiro, assim como já o vinha fazendo em relação aos chilenos na questão do acesso ao mar, rende votos. Sob o pretexto de corrigir injustiças históricas, apoiamos incondicionalmente um sistema de produção destinado na teoria a abastecer o consumo tradicional, mas que na prática transforma a maior parte das folhas de coca produzida na Bolívia em uma pasta que acaba sendo trocada por carros roubados no Brasil.
A continuar desse jeito, só me falta acordar e, se o meu cachorro não tiver mais uma vez destruído o jornal, ler a notícia de que pegamos o cavalo para trás – ao menos Evo está convencido de que foi assim – e devolvemos o Acre para a Bolívia.
Fernando Tibúrcio Peña, advogado do senador da Bolívia Roger Pinto Molina

Com informações da revista Veja.


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No dia em que Lula visita Cuba, PSDB ajuiza mandado de segurança para obrigar o governo a dizer quanto gasta com os Castro

O tucano Álvaro Dias ingressou, nesta segunda, com mandado de segurança no STF para que o tribunal obrigue o governo a divulgar informações sobre contratos firmados entre o BNDES e os governos de Cuba e Angola.

. Em 2012, o banco desembolsou US$ 875 milhões para os dois países.

. O pedido é feito no dia em que Lula viajou a Cuba para visitar o Porto de Mariel, construído com recursos do BNDES.

. O governo alega que o dinheiro que entrega para Cuba e Angola é segredo de Estado.
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A imprensa brasileira omite sistematicamente, mas no país mais violento do mundo, toda população - à exceção da elite política cooptada -, está contra Maduro, o ditador que prolonga a vida do chavismo. Faltam alimentos, energia, medicamentos e produtos de higiene pessoal. E nos protestos populares contra os comunistas, as forças de segurança, controladas pelos cubanos, dão mostras contínuas de brutalidade criminosa.




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Putin quer a Ucrânia em sua União Eurasiana, o que quer dizer que a Ucrânia tem de ser autoritária, e isto significa que a Maidan deve ser destruída.
O eurasianismo não é somente a fonte ideológica da União Eurasiana, é também o credo de muitas pessoas na administração Putin.

N.T.
Este artigo será publicado na edição de 20 de Março de 2014 da The New York Review referente ao atual conflito na Ucrânia. A exposição do cenário político e cultural desse conflito feita pelo autor é importante no entendimento do cenário latino-americano atual e, particularmente, no conflito que hoje ocorre na Venezuela, como pode ser visto pela leitura dos debates entre o professor Olavo de Carvalho e o teórico russo Aleksandr Dugin.

Os estudantes foram os primeiros a protestar contra o regime do presidente Viktor Yanukovych na Maidan, a praça central de Kiev, novembro passado. Esses eram os ucranianos que mais tinham a perder, os jovens que sem dúvidas se vêem como europeus e que desejam ter uma vida e uma pátria ucraniana européia. Muitos deles eram alinhados politicamente à esquerda, alguns deles radicalmente à esquerda. Após anos de negociações e meses de promessas, o seu governo, sob a administração do presidente Yanukovych, no último momento deixou de assinar um importante acordo com a União Européia. 
Quando a polícia de choque entrou em cena e reprimiu os estudantes novembro passado, um novo grupo, dos veteranos do Afeganistão, foi para a Maidan. Esses homens de meia idade, soldados da reserva e oficiais do Exército Vermelho, muitos deles carregando as cicatrizes dos ferimentos em campo de batalha, foi para a Maidan, como eles diziam, para proteger “seus filhos”. Eles não se referiam diretamente aos seus filhos e filhas: eles se referiam ao melhor da juventude, o orgulho e o futuro do país. Depois dos veteranos do Afeganistão vieram muitos outros, dezenas de milhares seguidos por centenas de milhares, agora nem tanto a favor da Europa mas em defesa da decência. 
O que quer dizer ir para a Maidan? A praça está localizada perto de alguns dos maiores prédios do governo e é agora um local tradicional para protestar. É importante ressaltar que a palavra maidan existe em ucraniano mas não em russo, e que mesmo as pessoas que falam russo usam essa palavra devido ao seu significado especial. Na sua origem, é a palavra arábica para "praça", um espaço público. Porém, maidan hoje quer dizer em ucraniano o mesmo que a palavra grega agora: não simplesmente um mercado público onde as pessoas podem se encontrar, mas um local onde as pessoas se encontram deliberadamente, precisamente para deliberar, para conversar e para criar uma sociedade política. Durante os protestos a palavra maidan veio a se referir ao ato público da política em si. Assim, por exemplo, as pessoas que usam seus carros para organizar a atenção pública e proteger os outros protestantes são chamados automaidan
Os protestantes representam todos os grupos de cidadãos ucranianos: Os que falam russo e os que falam ucraniano (mesmo que a maior parte dos ucranianos sejam bilíngues), pessoas das cidades e do campo, as pessoas de todas as regiões do país, os membros de todos os partidos políticos, os jovens e os idosos, os cristãos, os muçulmanos e os judeus. Todas das maiores vertentes do cristianismo estão representadas por fiéis e a maior parte delas pelo clero. Os Tártaros da Criméia marcharam em número impressionante e as lideranças judaicas fizeram questão de apoiar o movimento. A diversidade da Maidan impressiona: o grupo que monitora os hospitais para que o regime não possa sequestrar os feridos é organizado por jovens feministas. Um telefone de emergência que os protestantes ligam quando necessitam de ajuda é mantido por ativistas LGBT.
Em 16 de janeiro, o governo ucraniano, encabeçado pelo presidente Yanukovych, tentou colocar um fim na sociedade civil ucraniana. Uma série de leis passadas as pressas e sem seguir os procedimentos normais restringiram a liberdade de expressão e de comício, e removeram os poucos entraves que restavam a autoridade do executivo. Isso foi feito com o intento de levar a Ucrânia a uma ditadura e tornar todos os participantes na Maidan, que naquela altura provavelmente já somavam alguns poucos milhões, criminosos. O resultado foi que os protestos, até então pacíficos, se tornaram violentos. Yanukovych perdeu o apoio mesmo na sua base política no sudeste, próxima da fronteira com a Rússia. 
Após semanas respondendo pacificamente as prisões e as agressões da polícia de choque, muitos ucranianos concluíram que tinham chegado ao limite. Uma parte dos protestantes, longe de serem a maioria dos alinhados à direita e à direita extrema, decidiram entrar em confronto com a polícia. Entre eles estavam membros do partido de extrema direita Svoboda e um novo conglomerado de nacionalistas que se intitulam Setor Direito (Pravyi Sektor). Jovens, alguns de grupos da direita e outros não, tentaram tomar a força os espaços públicos disputados pela polícia de choque. Jovens judeus formaram seu próprio grupo de combate, ou sotnia, para lutar contra as autoridades. 
Mesmo tendo Yanukovych revogado a maior parte das leis ditatoriais, a violência ilegal do regime, que havia começado em novembro continuou em fevereiro. Membros da oposição foram alvejados e assassinados, ou molhados pelos carros de água usados para dispersar manifestações em temperaturas abaixo de zero para que morressem de hipotermia. Outros foram torturados e deixados para morrer no mato. 
Durante as duas primeiras semanas de fevereiro, o regime de Yanukovich buscou restaurar algumas das leis ditatoriais por decretos, atalhos burocráticos e novas legislações. Em 18 de fevereiro, um debate parlamentar que estava anunciado para tratar de uma reforma constitucional foi cancelado. Ao invés desse debate, o governo colocou milhares de policiais do batalhão de choque contra os manifestantes de Kiev. Centenas de pessoas foram feridas por balas de borracha, gás lacrimogêneo e cassetetes. Dezenas foram mortas. 
* * *
O futuro desse movimento de protestos será decidido pelos ucranianos. Ainda assim, os protestos haviam começado na esperança de que a Ucrânia pudesse entrar para a União Européia, uma aspiração que para muitos ucranianos representa algo como uma combinação de estado de direito, ausência do medo, fim da corrupção, estado de bem estar social e livre mercado sem a intimidação dos sindicatos controlados pelo presidente. 
O curso dos protestos foi muito influenciado pela presença de um projeto rival para a Ucrânia, apoiado por Moscou e chamado de União Eurasiana. Trata-se de uma união internacional política e comercial que ainda não existe mas que deve passar a existir em janeiro de 2015. A União Eurasiana, ao contrário da União Européia, não está baseada nos princípios da igualdade e da democracia nos seus países membros, nem no estado de direito, nem nos direitos humanos.
Ao contrário, é uma organização hierárquica, que por sua natureza parece improvável que admita qualquer membro que seja democrático, com estado de direito e direitos humanos. Qualquer democracia na União Eurasiana seria uma ameaça ao poder de Putin na Rússia. Putin quer a Ucrânia em sua União Eurasiana, o que quer dizer que a Ucrânia tem de ser autoritária, e isto significa que a Maidan deve ser destruída.
As leis ditatoriais de 16 de janeiro eram obviamente baseadas nos modelos russos, e foram propostas por legisladores ucranianos com laços fortes com Moscou. Essas leis parecem ter sido a condição imposta pela Rússia para o apoio financeiro ao regime de Yanukovych. Antes de serem anunciadas, Putin ofereceu a Ucrânia um grande empréstimo e prometeu reduzir o preço do gás natural Russo. Todavia, em janeiro o resultado não foi o alinhamento à Rússia. As pessoas da Maidan se defenderam, e os protestos continuaram. Onde isso tudo vai levar ninguém pode adivinhar; somente o Kremlin expressa certeza em relação ao que tudo isso significa.
Os protestos na Maidan, nos foi dito diversas vezes pela propaganda russa e pelos amigos do Kremlin na Ucrânia, significavam o retorno do nacional-socialismo à Europa. O ministro de relações exteriores russo palestrou aos alemães em Munique sobre o apoio dos protestantes a pessoas que saúdam Hitler. Naturalmente, é importante que se esteja atento à extrema direita na política e história ucraniana. Essa ala política ainda é uma presença séria nos dias de hoje, ainda que menos importante que a extrema direita na França, na Áustria ou na Holanda. Ainda assim, é o regime ucraniano, não seus opositores, que está retomando o anti-semitismo, instruindo sua polícia de choque de que a oposição é liderada por judeus. Em outras palavras, o governo ucraniano está dizendo para seus policiais que o oponente é judeu e dizendo para nós que o oponente é nazista. 
O mais estranho em relação às aspirações de Moscou é a ideologia política dos seus teóricos. A União Eurasiana é a inimiga da União Européia, não só na estratégia mas também na ideologia. A União Européia se baseia em uma lição histórica: de que as guerras do século XX se basearam em idéias falsas e perigosas, o nacional-socialismo e o stalinismo, que devem ser rejeitadas e de fato superadas em um sistema que garanta livres mercados, livre fluxo de pessoas e estado de bem estar social. O Eurasianismo, ao contrário, se apresenta com seus defensores como o oposto da democracia liberal. 
A ideologia eurasiana pinta uma lição totalmente diferente do século XX. Fundada por volta de 2001 pelo cientista político russo Aleksandr Dugin, ela propõe a realização do nacional-bolchevismo. Ao invés de rejeitar ideologias totalitárias, o eurasianismo chama os políticos do século XXI a buscar o que é útil tanto no fascismo como no stalinismo. O principal trabalho de Dugin, Os Fundamentos da Geopolítica, publicado em 1997, segue de perto as idéias de Carl Schmitt, o líder dos teóricos nazistas. O eurasianismo não é somente a fonte ideológica da União Eurasiana, é também o credo de muitas pessoas na administração Putin e a força motriz de um movimento bastante ativo da juventude russa de extrema direita. Por anos Dugin defendeu abertamente a divisão e colonização da Ucrânia. 
O homem de referência para as políticas eurasianas e ucranianas no Kremlin é Sergei Glazyev, um economista que, como Dugin, tende a combinar nacionalismo radical com nostalgia pelo bolchevismo. Ele foi membro do Partido Comunista e deputado comunista no parlamento russo antes de se tornar um dos fundadores do partido de extrema direita chamado Rodina, ou Terra-mãe. Em 2005, alguns de seus deputados assinaram uma petição ao procurador geral russo pedindo que todas as organizações judaicas fossem banidas da Rússia. 
Mais tarde, naquele mesmo ano, o Rodina foi proibido de participar das futuras eleições depois de reclamações de que suas propagandas incitavam o ódio racial. A mais notória dessas propagandas mostrava pessoas negras comendo melancias e jogando as cascas no chão, para então chamar os russos para a limpeza de suas cidades. O livro de Glazyev Genocídio: Rússia e a Nova Ordem Mundial defende que as forças sinistras da “nova ordem mundial” conspiraram contra a Rússia nos anos 90 para impor políticas econômicas que levaram ao “genocídio”. Esse livro foi publicado em inglês pela revista de Lyndon LaRoucheExecutive Intelligence Review com prefácio de LaRouche. Hoje, a Executive Intelligence Review ecoa a propaganda do Kremlin, disseminando em língua inglesa que os protestantes ucranianos queriam um golpe de estado nazista e que iniciaram uma guerra civil.
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A campanha populista na mídia pela União Eurasiana está agora nas mãos de Dmitry Kiselyov, o anfitrião do mais importante talk show da Rússia e, desde dezembro, também diretor da estatal de mídia russa designada a formar a opinião pública da nação. Mais conhecido por dizer que os gays que morrem em acidentes de carro devem ter seus corações cortados de seus corpos e incinerados, Kiselyov levou a campanha de Putin contra os direitos dos homossexuais e a transformou em uma arma contra a integração européia. Assim, quando o então ministro de relações exteriores alemão, que é gay, visitou Kiev em dezembro e se encontrou com Vitali Klitschko, o político campeão dos pesos-pesados e opositor ucraniano, Kiselyov diminuiu Klitschko como um ícone gay. De acordo com o ministro de relações exteriores russo, a exploração das políticas sexuais deve se tornar agora uma arma na luta contra a “decadência" que representa União Européia. 
Seguindo a mesma estratégia, o governo de Yanukovych alegou, falsamente, que o preço das relações mais próximas com a União Européia era o reconhecimento do casamento gay na Ucrânia. Kiselyov é bem aberto em relação a estratégia da mídia russa sobre a Maidan: “aplicar a tecnologia política correta”, e "levá-la ao ponto de super-aquecimento”, para então trazer para a “lente de aumento da televisão e da internet”.
Por qual motivo pessoas com tais visões pensam que podem chamar aos outros de fascistas? E por qual motivo ninguém na esquerda ocidental os leva a sério? Uma linha de raciocínio parece ser a seguinte: os russos ganharam a Segunda Guerra Mundial e por isso se pode ter certeza que eles reconhecem nazistas. Muita coisa está errada nisso. A Segunda Guerra Mundial, no front oriental, foi travada basicamente no que na época eram chamadas de Ucrânia Soviética e de Bielorrússia Soviética, não na Rússia Soviética. 5% da Rússia estava ocupada pelos alemães; toda a Ucrânia estava ocupada pelos alemães. Exceto pelos judeus, os quais sofreram de longe o pior, as principais vítimas das políticas nazistas não foram os russos, mas os ucranianos e os bielorrussos. Não existia nenhum exército russo lutando na Segunda Guerra Mundial, mas sim o Exército Vermelho Soviético. Os seus soldados eram de maneira desproporcional de origem ucraniana, já que o Exército Vermelho teve muitas perdas na Ucrânia e recrutou soldados entre população local. O grupo do exército que libertou Auschwitz era chamado de Primeira Frente Ucraniana.
A outra fonte da suposta legitimidade moral da Eurásia parece ser a seguinte: uma vez que os representantes do regime de Putin só de maneira seletiva se distanciam do stalinismo, eles são, portanto, herdeiros confiáveis da história soviética, e devem ser vistos como opositores automáticos aos nazistas e, dessa forma, confiáveis a se opor a extrema direita. 
Mais uma vez, muita coisa está errada nisso. A Segunda Guerra Mundial começou com uma aliança entre Hitler e Stalin em 1939. Terminou com a União Soviética expulsando os sobreviventes judeus pela sua fronteira para a Polônia. Após a fundação do Estado de Israel, Stalin começou a associar os judeus soviéticos com uma conspiração do mundo capitalista e iniciou uma campanha de prisões, deportações e assassinatos de líderes escritores judeus. Quando Stalin morreu em 1953, ele estava preparando uma campanha ainda maior contra os judeus. 
Após a morte de Stalin, o comunismo ganhou cada vez mais uma coloração étnica, com pessoas que queriam reviver suas glórias afirmando que o problema do stalinismo fora que esse havia sido estragado por judeus. A purificação étnica do legado comunista é precisamente a lógica do nacional-bolchevismo, que é a fundação ideológica do Eurasianismo hoje. Putin é um admirador do filósofo Ivan Ilin, que queria que a Rússia fosse uma ditadura nacionalista.
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O que quer dizer quando o lobo aponta aos outros e grita: “lobo!”? Obviamente, propagandistas em Moscou e Kiev nos tomam por idiotas - o que, pelos indícios, é um tanto justificável. 
De maneira mais sutil, o que essa campanha faz é tentar reduzir a tensão social em um país complexo a uma batalha de símbolos do passado. A Ucrânia não é o teatro para a propaganda histórica de outros nem um quebra-cabeça no qual peças possam ser removidas. É um grande país europeu no qual os cidadãos possuem importantes laços culturais e econômicos tanto com a União Européia quanto com a Rússia. Para definir seu próprio caminho, a Ucrânia necessita de debate público normal, da restituição da democracia parlamentar e de relações funcionais com todos os seus vizinhos. A Ucrânia está repleta de pessoas sofisticadas e ambiciosas. Caso as pessoas no Ocidente fiquem presas a questão de serem eles predominantemente nazistas ou não, então os ocidentais irão perder de vista as questões centrais da presente crise.
De fato, os ucranianos estão em uma luta tanto contra a concentração de riqueza quanto contra a concentração de poder armado nas mãos de Viktor Yanukovych e seus aliados mais próximos. Os protestos podem ser vistos como um belo exemplo de coragem para americanos tanto na esquerda quanto na direita. Os ucranianos estão fazendo sacrifícios reais na esperança de se juntarem a União Européia. Pode haver algo a ser aprendido nisso tudo entre os eurocéticos em Londres ou em qualquer outro lugar? Esse é um diálogo que não está ocorrendo.
A história do Holocausto é parte do nosso próprio discurso público, do nosso agora, da nossa maidan. A atual tentativa russa de manipular a memória do Holocausto é tão gritante e cínica que aqueles que são idiotas o suficiente para cair nela vão um dia ter de se perguntar como, e a serviço do que, foram coniventes. Se o fascismo se fantasia com o manto do anti-fascismo, a memória do Holocausto em si será alterada. Será mais difícil no futuro se referir ao Holocausto quando em defesa de qualquer causa nobre, seja ela particularmente a história judaica ou a história dos direitos humanos em geral.

Tradução: Fernando de Souza



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A ausência, a falta de uma cobertura adequada sobre o que está acontecendo na Venezuela tem levado as pessoas na internet a publicar os mais impressionantes absurdos. Não fosse Graça Salgueiro e o genial trabalho desenvolvido pela Rádio Vox, os brasileiros ficariam restritos a uma ou outra chamada do Jornal Nacional e demais veículos da “Imprensa do B” para saber o que está ocorrendo naquele país.
pachines

Porta-aviões Lianoning, completamente operacional e armado, literalmente, "até os dentes".
Não cabe a mim, que jamais estive na Venezuela e tampouco na Colômbia, escrever sobre o que está acontecendo lá. Quem quiser saber em primeira mão o que ocorre naqueles países precisa seguir o Notalatina, blog da Graça, e escutar a Rádio Vox. Minha intenção aqui é simplesmente fazer algumas observações, sem ser especialista em geopolítica, sobre eventuais respostas dos Estados Unidos e da República Popular (China) no que diz respeito à essa crise toda.
Envolvida numa situação em que o crescimento econômico supera de muito longe o consumo, a China hoje comporta-se de maneira inversa ao Brasil (consumo superando esmagadoramente o crescimento) e tem como principais preocupações – do ponto de vista internacional – a eterna crise na Península Coreana e os constantes exercícios militares que os EUA fazem naquela região com seus aliados do Sul. Recentemente, a China estabeleceu uma "zona dedefesa aérea" sobre ilhas que o país disputa com o Japão - que Pequim chama de Diaoyu e Tóquio de Senkaku -, elevando a tensão na região do Mar da China Meridional. O governo chinês passou a exigir o envio de planos dos voos que passassem pela região, a abertura de canais de comunicação de rádio e a clara identificação da nacionalidade de cada aeronave e conta agora, naquela região, com o porta-aviões Liaoning, que entrou em serviço na Marinha do Exército de Libertação em 25 de dezembro de 2012.

Originalmente pertencente a Classe Kuznetsov, ele foi construído pela União Soviética para servir em sua marinha. Era conhecido como Riga e foi lançado a 4 de Dezembro de 1988, sendo renomeado para Varyag (Varangiano) no final da década de 1990, segundo um famoso cruzador russo. Uma companhia turística chinesa comprou o navio coma desculpa que ele seria transformado em cassino flutuante. A foto acima mostra o resultado final.

É absurda a informação que circula na internet, e que eu mesmo apresentei no blog Ataque Aberto, segundo a qual soldados chineses estariam a caminho da Venezuela. Não há qualquer fundamento para se acreditar num fato que, sendo verdadeiro seria, sem dúvida alguma, noticiado pelos canais oficiais tanto da China quanto dos Estados Unidos. Lembro porém, que acordos de cooperação foram fechados entre os dois países. Maduro esteve na China em setembro de 2013 em viagem celebrada pelo próprio portal Vermelho.org (que se auto-denomina o “portal da esquerda” no Brasil) e não há dúvida de que a compra de material militar foi incluída nas negociações. A presença de consultores, não soldados, chineses na Venezuela é portanto algo, aí sim, perfeitamente plausível.

Em relação aos EUA, não há dúvida de que Washington sabe perfeitamente o que está acontecendo mas, tenhamos certeza, pouco lhe interessa um envolvimento no sentido de “defender por questões humanitárias” o povo venezuelano. Os EUA só pensariam seriamente numa intervenção no momento em que a disseminação da “Revolução Bolivariana” por todo continente passe a significar uma ameaça inquestionável a sua segurança nacional ou represente uma perda intolerável em termos econômicos nos seus negócios com a região. Por enquanto, nenhuma dessas duas situações ainda se apresentou. Nesse contexto, tropas da República Popular na Venezuela seriam, para os americanos, o equivalente à crise dos mísseis em Cuba e, aí sim, eu não tenho dúvida de que haveria resposta americana em termos de deslocamento militar.

Uma eventual retaliação militar americana ao que está acontecendo na América do Sul seria protagonizada pela Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos – Frota do Atlântico Sul – e até agora não existe evidência alguma de que isso tenha acontecido ou esteja próximo de acontecer.

Enquanto esperamos, ficamos todos mergulhados nesse mar de desinformação, nesse telefone sem fio: em pleno 2014, um país do tamanho do Brasil depende do Twitter para saber o que está ocorrendo bem ao seu lado.


Milton Simon Pires
 é médico.


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