segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Confissões de um ex-grande imbecil

As ideias conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários" de JP Coutinho

Rev. Wanderley Dantas
O conservadorismo, portanto, deve começar por respeitar a natureza dos homens. E isso significa observar a vontade destes em participar num sistema em que são as escolhas naturais e livres dos indivíduos, e não a imposição autoritária de um padrão único de preferências ou comportamentos, que devem ser soberanas — JP Coutinho.
Já votei no PT! Confesso... Mas, indubitavelmente, já fiz coisa muito pior do que isso: já votei mais de uma vez no PT! E não é só isso: levantei bandeirinhas, vesti camisas, fui às ruas, chorei. Idiota que era, caí diversas vezes no discurso messiânico petista, porque, antes de tudo, acreditava que o PT era a encarnação do Evangelho social. Daí, nada mais justo, nada mais lógico do que votar, lutar e militar pela legenda. Houvera, muito antes, sido embriagado pela Teologia da Libertação nos arraias do Seminário Católico progressista, que frequentara na minha adolescência. 
Parece, porém, que há algum adágio que alerta para o fato de que nada é tão ruim que não possa ficar ainda pior. E ficou! Certa manhã de algum dia qualquer do ano de 2007, vi aberta, escancarada a mandíbula do totalitarismo petista. O animal, que eu acariciava e que permitia dormir dentro da minha própria casa, voltou-se contra mim e a crise abateu-se, virando tudo de cabeça para baixo. Qual a saída? A via lógica seria migrarmos para o PSOL de Heloísa Helena... Eu não disse que o que era ruim podia ficar ainda pior? A crise instalada faria apenas que nos arrastássemos ainda mais à esquerda no espectro político. Até que, surpreendentemente, aconteceu uma avalanche de pequenas coincidências que mudaram drasticamente a minha vida. Chamo esse momento de “minha segunda conversão”!
Protestante, Presbiteriano, Petista – tudo isso misturado ao caldo empático das palavras do Rev. Caio Fábio, que se encontrava mergulhado até o pescoço como o “Pastor das esquerdas” no Brasil. Até que ele se afogou nas águas tenebrosas do escândalo das Ilhas Cayman. Somado a este escândalo veio o caso do adultério e, então, tudo desabou para o presbiterianismo light brasiliense, uma Igreja que também se envolvera até o pescoço com o esquerdismo tendo, até mesmo, o seu Presidente, em programa eleitoral de TV, apoiado o candidato da esquerda ao Governo do DF. Estávamos todos mergulhados e comprometidos com aquilo que hoje é um projeto de poder monomaníaco muito mais extenso do que a maioria gostaria de aceitar e que já vem, por exemplo, reconstruindo o STF há mais de 20 anos (que é um período de tempo muito maior do que o que você pensava). 
Até que, como disse, tudo mudou repentinamente. Parece que o ano de 2007 já vinha pegando fogo com o início da campanha “Brasil sem homofobia” e a divulgação da PL 122. Foi o ano também em que o Presidente Lula tratou de enfiar na cabeça o boné gay dado pelos militantes da causa LGBT. O Rev. Roberto Brasileiro, presidente da IPB, manifestou a posição oficial da Igreja contra a lei da homofobia e contra o aborto, ambos defendidos pelo PT. Todavia, foi pela corrupção do mensalão que nos afastávamos do PT rumo ao PSOL. Naquele momento, a internet teve seu papel fundamental, porque já começara a receber os artigos do Julio Severo. Em 2007, li o fundamental “Verdade Absoluta” da Nancy Pearcey, que, pela primeira vez, colocava-me diante do espelho, fazendo-me ver a incoerência entre o que eu pregava e as teorias do esquerdismo que eu vivia. De Julio Severo até Olavo de Carvalho foi um caminho natural. E o castelo das minhas insossas conveniências acabaram por se desmanchar no ar com a leitura do “Imbecil Coletivo”. Sim, encerrei o ano de 2007 constando (antes tarde do que nunca) que eu era um grande imbecil! 
De 2007 para cá, foram muitas leituras, livros, artigos. Um novo círculo de amigos cercou-me e uma nova bibliografia foi sendo construída, a saber: todos os livros de Olavo de Carvalho, dando atenção especial ao “Imbecil coletivo I e II”, “O jardim das aflições” e “Maquiavel, ou a confusão demoníaca"; “O Trivium” da Irmã Miriam Joseph; “Ameaça pagã” e “O Deus do sexo”, ambos de Peter Jones; “A Era de T.S. Eliot” de Russel Kirk; “O mundo em desordem” de Demétrio Magnoli e Elaine Barbosa; “Reflexões Autobiográficas” de Eric Voeglin; “A origem da linguagem” de Eugen Rosenstock-Huessy, “Maquiavel Pedagogo ou o Ministério da Reforma Psicológica” de Pascal Bernardin e muitos outros livros e autores sem os quais não você jamais dará conta sozinho de emergir do mar de lama e mentiras que se instalou em nossa cultura. 
Mesmo vendo meu cristianismo finalmente ser liberto da gaiola cultural em que fora trancafiado, logo percebi que havia excessos e certas contradições entre aqueles que se denominavam (quando assim ousam se denominar) de “DIREITA”. Percebia que determinadas posturas eram inconformáveis com minha cosmovisão cristã, agora muito mais crítica e desperta do que quando vivia dopado e drogado por aquela época de petismo. Muito mais fácil foi perceber que entre os meus novos amigos havia os que eram “revolucionários de direita” e que possuíam uma mentalidade revolucionária tão doentia quanto aqueles que antes se expressavam como de “esquerda”. A diferença era apenas de direção, mas tanto esquerdistas como os “revolucionários de direita”eram utópicos e fariam de tudo para alcançar o paraíso na terra. 
E para esclarecer melhor a diferença existente na direita entre revolucionários, conservadores e reacionários (e antes mesmo que você queira emitir qualquer opinião infundada sobre este assunto), JP Coutinho escreveu o maravilhoso “As ideias conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários”. Entre tantas benesses, este pequenino (mas vasto) livro ajudará a que você saia deste simplista e velho maniqueísmo: direita e esquerda. Além disso, rompendo os preconceitos e caricaturas existentes, apresentará o Conservadorismo não só naquilo que ele realmente é, mas, principalmente, no que ele não é. O Conservadorismo não é fascismo. O Conservadorismo não é imobilismo. O Conservadorismo não pode ser confundido com a mentalidade revolucionária de determinados segmentos da própria direita e, muito menos, com qualquer aspecto de grupos reacionários. No fim das contas, há revolucionários em toda gama do espectro político desde a esquerda até a direita e é contra essa mentalidade revolucionária, que visa lançar ao chão toda e qualquer tradição e instituição para a instauração ou de um futuro utópico ou de um passado utópico, que o pensamento conservador levanta-se, ou melhor, reage. 
A tese do livro é apresentar o Conservadorismo em seu melhor viés, o Conservadorismo inglês de Edmund Burke, que se coloca como uma reação à Revolução Francesa. JP Coutinho mostrará que o conservadorismo de Edmund Burke é antirrevolucionário e não utópico. O Conservadorismo não impede que mudanças ocorram, mas mede se os danos seriam maiores que os ganhos para a sociedade. O Conservadorismo moderno, que difere das mentalidades revolucionária e reacionária, será apresentado como uma ideologia de emergência, acionada sempre que “os fundamentos da sociedade são ameaçados”. JP Coutinho é jornalista e cientista político, professor da Universidade Católica Portuguesa. Colunista da Folha de São Paulo e coautor do livro “Por que virei à direita”. Boa leitura!     
Fonte: O Seringueiro
Divulgação: www.juliosevero.com
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