quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Três lições de Dilma Rousseff: a porta de saída é uma porta de entrada, pintar a unha acelera a inclusão social e a crise é um W com uma perna mais profunda.
"Vamos acionar o tico e o teco!"
Acompanhe - e tente entender - um dos trechos proferidos por Dilma Rousseff nesta quarta-feira: "A questão da educação é uma questão fortíssima no Brasil. Acho que ela é, o Brasil hoje é um país, do meu ponto de vista, que tem na educação o seu grande caminho, porque, através da educação eu estabilizo a saída da miséria e a ida para a classe média".

Vamos ler o que diz Augusto Nunes:

Nesta quarta-feira, os jornalistas que dão plantão no Palácio do Planalto ganharam de Dilma Rousseff um café da manhã e uma entrevista coletiva. Durante mais de uma hora e meia, a presidente confirmou que o Brasil é governado por alguém capaz de não dizer coisa com coisa sobre tudo. Extraídos sem revisão do Blog do Planalto, seguem-se três dos melhores-piores momentos do falatório, com ligeiros comentários entre parênteses do colunista:
NEURÔNIO EDUCATIVO

“A questão da educação é uma questão fortíssima no Brasil. Acho que ela é, o Brasil hoje é um país, do meu ponto de vista, que tem na educação o seu grande caminho, porque, através da educação eu estabilizo a saída da miséria e a ida para a classe média. Só através da educação que nós vamos estabilizar, e educação de qualidade, senão você não estabiliza, ou então a pessoa fica lá. Então, discutiam porta de saída. A grande porta de saída é uma porta de entrada: é a educação”.

(Segundo Dilma, a estrada que leva da miséria para a classe média, ou vice-versa, passa por uma porta que abre, fecha, ameaça cair ou esbanja estabilidade de acordo com critérios estabelecidos pela educação. O Celso Arnaldo talvez conheça esse lugar onde “a pessoa fica lá”. Mas mesmo o nosso grande especialista em dilmês terá dificuldades para resolver o gravíssimo problema exposto pelo neurônio solitário: se a porta de saída é uma porta de entrada, como alguém vai saber direito se entrou ou saiu?).
NEURÔNIO INCLUSIVO

“Nesse Pronatec Brasil Sem Miséria, nós já formamos 850 mil pessoas. E formar 850 mil pessoas é dar condição a eles de ter uma profissão. Você forma de ajudante para tratamento de idoso, até a quantidade imensa de cabeleireira que tem nesse país, né meninas? Vocês sabem que nós somos um dos países com maior consumo na área de indústrias da beleza. E prolifera essa questão. Faz parte da inserção, eu acho, da mulher no mercado de trabalho. Não sei se vocês viram essa mulher formada no Pronatec, era engraçadíssima, a unha era desse tamanho assim, pintada assim, toda bonita pintada, e ela era torneira mecânica. Estava formando em torneira mecânica. Mulher vai para torneira mecânica de unha pintada. Acho que esse é um processo inclusivo”.

(“Estava formando em torneira-mecânica” tem cara de enigma a ser desvendado por Celso Arnaldo, mas é só um besteirol à procura do “se” que sumiu. Também não deve perder tempo caçando o significado de “E prolifera essa questão”. É só outra um cortejo sem pé nem cabeça de vogais e consoantes. O mistério a decifrar está na última frase: como é que se faz para transformar em processo de inclusão uma unha pintada? E qual é a cor ideal para a unha de quem quer trabalhar menos e ganhar mais?)
NEURÔNIO LETRADO

“Então, do meu ponto de vista acho que 2013 foi o momento em que a chamada crise, que muitos economistas internacionais discutiam se era em U, se era em V, se era em W. Ela é, eu acho, que num W mais profundo para esse momento, se você olhar do ponto de vista da economia internacional como um todo. De alguma economia pode até dizer: olha, foi pior no primeiro momento, lá em 2009. Eu acho que foi pior quando se aprofunda da crise da Europa e se combina com a crise americana, e além disso, com uma redefinição da economia chinesa. E isso indica uma perna para baixo do W mais profunda”.

(Primeiro, Dilma esclarece que 2013 não foi um ano, mas o momento em que a “chamada crise” decidiu virar letra. Em seguida, avisa que estudou suficientemente o caso para garantir que a crise não é um U nem um V. É um W, só que diferente. Os interessados em conhecer a cara nova da letra precisam olhar ao mesmo tempo a confusão europeia, a crise americana e a economia chinesa. Quem segue essas instruções enxerga nitidamente um W com uma perna para baixo e mais profunda. A doutora em economia não revelou se a perna é a esquerda ou a direita).
Não é fácil entender como alguém assim ganha uma eleição presidencial. Mais difícil ainda é entender como é que se consegue perder uma eleição para alguém assim.
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