quinta-feira, 9 de maio de 2013

Bem Comum e Cidadania


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Carlos Leite Filho

O bem comum, em pequena síntese, é uma conjuntura social onde a vida saudável e a assistência médica não são privilégios de poucos, onde um povo devidamente educado desfruta em segurança de liberdade e é capaz de exercer a sua cidadania em convívio com governantes cônscios de suas responsabilidades e proficientes na busca da felicidade coletiva.

Consequentemente, a glória de um mandato só pode ser um galardão político do governante se a população, gradualmente, passar a desfrutar de dias melhores, o que impõe capacidade de gestão aliada a atributos pessoais de dignidade, e inteligência na escolha de uma equipe competente, todos solidários na busca de resultados positivos e não apenas satisfeitos pelo prêmio dado aos seus respectivos partidos.

O governante que não se antecipa às críticas evidentes e não é capaz de alterar um status quo indesejável deve ser esquecido e ter vida política encurtada pela sanção dos cidadãos eleitores. É inaceitável o reconhecimento da existência de problemas, frutos de má gestão, acompanhado de promessa de prazos para solução como habeas-corpus político.

A cidadania impõe direitos e deveres e não se coaduna com quem é capaz de referendar a ação política pelo recebimento de benesses ou privilégios. “Cada povo tem o governo que merece” e não será pela leniência, omissão ou acomodação dos seus cidadãos que a felicidade brotará. Um falso messias ou um pseudo arauto da democracia, sejam eles ex-titulares de elevados cargos, presidente ou ministro, não deverão ter espaço cativo na vida pública ainda que sendo lobos se apresentem travestidos de cordeiros.

Da mesma maneira, os membros dos Poderes constituídos devem efetivamente ser cidadãos íntegros, dotados de notório saber profissional e não apenas um lembrado militante partidário ardoroso, embora inescrupuloso.

Um hospital, uma escola, um presídio, uma delegacia policial ou uma estrada, citados como exemplos, necessitam de requisitos básicos e não de improvisações, cabendo ao governante a responsabilidade de fazer com oportunidade e, assim, não trocá-los pela preocupação da futura eleição, e, aos governados, o direito de usufruto e o dever de crítica, além de uma boa memória...

O dinheiro público arrecadado em taxas e impostos tem de beneficiar o contribuinte e não o governante e seus aliados. Usá-lo em propagandas enganosas que mais parecem visões num deserto é crime, competindo ao cidadão eleitor a imposição do maior castigo: a morte eleitoral!

Por último, nessa análise ligeira, inexistirá o bem comum quando o cidadão aceitar a mentira como ação de governo, tão comum nos dias atuais, máxime no governo federal.

José Carlos Leite Filho é General de Exército na Reserva – linsleite@supercabo.com.br – Originalmente publicado em “O Jornal de Hoje”, de 02/05/13-Natal-RN.

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